Designação:
Marchas Populares
Outras designações:
Marchas Antoninas

Marchas Infantis

Descrição:
As marchas populares de Vila Nova de Famalicão são uma manifestação coletiva protagonizada por diversas associações e instituições escolares do concelho, através de um desfile pelas principais ruas da cidade, culminando na realização de uma performance artística, em que a música e a dança são os elementos principais. Por detrás de cada atuação, encontra-se uma história, que é contada através dos trajes, dos arcos, da música, da letra e da coreografia, que são diferentes de ano para ano e de marcha para marcha. A preparação é feita ao longo de vários meses, chegando a envolver, em simultâneo, mais de uma centena de pessoas por marcha. A sua aparição nas Festas Antoninas ocorreu no ano de 1984 e, quatro anos depois, foi a vez de surgir pela primeira vez a vertente infantil desta iniciativa. Ao longo dos tempos passaram por várias transformações, desde o modo como se apresentavam trajados, até ao local em que atuavam, sendo, nos dias de hoje, a iniciativa, dentro do programa das Festas Antoninas, mais acarinhada pela comunidade.
Características:
Marcha Popular\Preparação\Definição do Tema e Conceitos; A programação da marcha começa pelo definição do tema. Este é normalmente definido pela marcha apesar de o mesmo também poder ser atribuído pela organização. Depois de seleccionado, começa-se a pensar então na história que se quer contar, ou na mensagem que se quer falar ou passar. Define-se o número de marchantes, arcos e músicos para se poder dar seguimento às próximas fases.

Marcha Popular\Preparação\Desenho e Confeção dos Trajes; O desenho e confeção dos trajes começa logo após da definição do tema. Arranca paralelamente ao "desenho e confeção dos arcos" e faz-se de acordo com o tema e com as personagens que se está a procurar representar naquela história e naquela marcha. Depois da escolha do modelo e dos tecidos que vão utilizar, as costureiras fazem os moldes que utilizarão para o corte dos tecidos. O passo seguinte passa pela tiragem de medidas a todos os membros da marcha, para entrar no modo de produção do traje. Ao longo de vários meses, os fins de tarde e fins-de-semana são dedicados à produção de mais de uma centena de trajes. Embora idênticos, cada marcha produz dez trajes diferentes: os trajes dos marchantes (homem e mulher), dos músicos (homem e mulher), do coro (homem e mulher), das mascotes (rapaz e rapariga) e dos padrinhos (homem e mulher).

Marcha Popular\Preparação\Desenho e Construção dos Arcos; A última etapa da construção de uma marcha a arrancar é a construção dos arcos. Por norma, é executada durante os meses de abril, maio e junho, e envolve elementos da direção e de alguns indivíduos, cuja experiência profissional, seja relevante na construção do arco. Um grupo reduzido de pessoas montam o primeiro, definem quais são os passos e a partir daí qualquer pessoa, até os marchantes ajudam quando é necessário. Segundo o regulamento, cada marcha pode levar 10 arcos duplos ou 20 individuais, e a decoração terá que incluir, obrigatoriamente, um dos seguintes elementos tradicionais das festas populares: festão, balão e/ou manjerico. A construção é realizada na sede da coletividade ou num espaço transformado de apoio à marcha, durante o período pós-laboral e/ou fins-de-semana, por marchantes. Os materiais utilizados diferem de Marcha para Marcha, embora para o suporte seja utilizado preferencialmente a madeira, o metal e o plástico, e para a decoração/ornamentação, utilizem toda uma panóplia de materiais, condizente com a imaginação dos seus construtores.

Marcha Popular\Preparação\Redação da Letra e Composição da Música; Com a história escrita, o músico, que pode ser alguém de dentro da marcha e/ou da coletividade, ou alguém contratado, começa por escrever a letra e compor a parte instrumental. A letra tem sempre por base a história que a coletividade quer transmitir na sua marcha. Segundo o regulamento, a música apresentada pode não ser inédita, embora se incentive a que seja, e o acompanhamento musical deverá ser feito preferencialmente por instrumentos de sopro. A componente musical é ainda constituída por um coro, com um número de elementos indefinido, e um conjunto de músicos que, durante a atuação, tocarão e cantarão ao vivo.

Marcha Popular\Preparação\Coreografia; Com a história, a letra e a música elaboradas, entra-se na fase da preparação da coreografia. O coreografo pode ser alguém de dentro da coletividade, da freguesia ou contratado. No mês de fevereiro/março, quando os ensaios começam a ser realizados, todas estas etapas da construção de uma marcha, com exceção da roupa e dos arcos, têm que estar finalizados. Realizados em recintos cobertos ou ao relento, normalmente num pavilhão ou campo de jogos, os ensaios são das etapas que constituem a construção de uma marcha a que mais tempo é praticada e a que envolve um maior número de indivíduos. Desde os inícios de fevereiro/março até finais de maio, os ensaios são realizados uma vez por semana, por norma durante a noite de sexta-feira, sábado ou domingo. Em junho, os dias de ensaio aumentam para dois, havendo marchas que, durante as primeiras semanas deste mês, ensaiam três vezes por semana.

Marcha Popular\Desfile; O início do desfile pelos vários arruamentos da cidade de Vila Nova de Famalicão começa entre as 21h00 e as 21h30. Ao longo das ruas, as Marchas são acompanhadas por milhares de pessoas que se juntam para aplaudir, dar vivas, dançar, cantar e entrar no ambiente festivo e de divertimento desta manifestação. A interação entre os marchantes e os festeiros é total. Ao longo do percurso, os marchantes fazem diversas paragens, entoando a música da marcha e dançando, ora coreograficamente, ora com espontaneidade, chamando, muitas vezes, indivíduos do público para participarem e integrarem as danças e os cantares de cada marcha. Para a maioria dos marchantes é esta interação com a comunidade, constante ao longo das várias centenas de metros que as Marchas têm que percorrer entre o local de concentração e de atuação, que todo o trabalho e esforço realizado ao longo de vários meses do ano é compensado.

Marcha Popular\Atuação; A atuação é realizada (desde 2016), num palco/estrado previamente instalado nos jardins fronteiros ao edifício da Câmara Municipal (antes era no interior do Estádio Municipal, sendo o percurso efetuado pela marchas oposto ao atual). A entrada de cada marcha no palco/estrado é acompanhada por um rufar de caixas/tambores. Depois de todos os elementos estarem devidamente posicionados, cada Marcha aguarda a ordem de início, que é dada por um sinal emitido por elementos da Comissão de Festas. A exibição faz-se de frente para a tribuna principal, tendo um tempo de duração definido: não poderá ser inferior a 4 minutos, nem superior a 8 minutos. Terminado os 8 minutos, um membro da Comissão de Festas toca uma sineta a anunciar o final da sua exibição. Após a atuação, todos os elementos da Marcha saem pelo lado oposto ao que entraram.

Cronologia:
Anual: Véspera (12 de Junho) de Santo António; Marchas Antoninas (Adultos)

Anual: Arranque das Festas; Marchas Antoninas (Infantis)

1984-00-00; 1984-00-00; Contemporânea; Século XX; Marchas Antoninas (Adultos): Primeira realização; As marchas populares entraram pela primeira vez no programa destas festividades no ano de 1984. Inicialmente eram realizadas em moldes diferentes das atuais, essencialmente por vários grupos folclóricos que desfilavam pelas ruas da cidade com os trajes habituais. Com o tempo, casa grupo participante começou a produzir a sua própria roupa, diferente de todos os anos, as letras e as músicas, além de uma coreografia que enquadrava todos estes factores. Atualmente, é a manifestação de cariz profana mais relevante destas festividades.

1988-00-00; 1988-00-00; Contemporânea; Século XX; Marchas Antoninas (Infantis): Primeira realização; Quatro anos depois da introdução das marchas populares no programa das Festas Antoninas, as crianças tiveram também direito a marchar, numa iniciativa que perdura até aos nossos dias. Deste modo, anualmente, centenas de crianças de diversas instituições de ensino do pré-escolar e do ensino básico do concelho desfilam pelas ruas da cidade, trazendo a estas festividades um ambiente colorido e mágico, revestindo-se ainda como uma espécie de batismo e introdução destas crianças nas Festas Antoninas.

1959-06-10; 1959-06-10; Contemporânea; Século XX; Marchas Populares: Primeira exibição; Nas festividades de 1959 houve, pela primeira vez no concelho, o desfile e atuação de marchas populares. Ao todo exibiram-se cinco grupos, oriundos da região de Lisboa: "Marchas Vila de Oeiras", "Rancho da Costa da Caparica, "Rancho Mar e Sol" e "Rancho Regional de Benavente". Depois de desfilaram pelas ruas da cidade, atuaram no interior do Estádio Municipal. Estava dado o tiro de partida para a introdução desta manifestação no programa das Festas Antoninas, embora tal só tivesse ocorrido em 1984.

Aprendizagem:
Escolar; As etapas da construção de uma marcha - trajes, arcos, musica e coreografia - da vertente infantil das marchas antoninas é feita no âmbito escolar, ensinadas pelos professores, educadores e auxiliares e assimiladas pelas crianças por consulta de documentação, pesquisa e observação

Lúdica; A coreografia é ensinada por um coreógrafo e praticada em grupo, sendo apreendida através de inúmeros ensaios realizados no horário pós laboral ou aos fins de semana, dentro de recintos desportivos cobertos ou ao ar livre

Lúdica; A letra da musica é transmitida individualmente a cada membro da marcha que tem a responsabilidade de decorá-la para posterior reprodução durante os ensaios

Grupo social:
Coletividades; As marchas Antoninas são realizadas por associações do concelho, sejam formais ou informais (aqui podemos inserir os grupos formadas pelas Juntas de Freguesia), que representam a comunidade da freguesia onde se inserem. Os seus membros, a maioria residentes na freguesia onde a instituição é oriunda, são membros da comunidade, de todos as idades e géneros.

Costureiras; Os trajes utilizados pelas diversas coletividades participantes nas marchas antoninas são confecionados por costureiras, que são contratadas ou que pertencem à coletividade.

Coreógrafos; Responsáveis pela coreografia utilizada por cada marcha que na noite de Santo António desfila e atua na cidade de Vila Nova de Famalicão. Os coreográficos podem ser profissionais contratados ou escolhidos entre os membros da marcha com mais aptidão para produzir e ensinar uma coreografia.

Músicos; Responsáveis pela redação da letra e do instrumental utilizado por cada marcha na noite de Santo António. Os músicos podem ser profissionais contratados ou escolhidos entre os membros da marcha com mais aptidão para produzir a letra e o instrumental.

Estudantes; As marchas Antoninas, em Vila Nova de Famalicão, possuem uma vertente infantil, protagonizadas pelas crianças das diversas instituições escolares do concelho de Vila Nova de Famalicão. Elas encontram-se também presentes nas marchas antoninas, embora possuam uma posição secundária.

Educadores; Responsáveis por planear as diferentes fases associadas às marchas infantis (traje, arcos, musica e coreografia, esta ultima quando aplicável).

Entusiastas

Localização:
Presença da manifestação\Local de fim da manifestação; Atual\Portugal\Braga\Vila Nova de Famalicão\União das freguesias de Vila Nova de Famalicão e Calendário\Vila Nova de Famalicão; Paços do Concelho

Presença da manifestação\Local de passagem da manifestação; Atual\Portugal\Braga\Vila Nova de Famalicão\União das freguesias de Vila Nova de Famalicão e Calendário\Vila Nova de Famalicão

Manifestação congénere\Externa\Ativa; Atual\Portugal\Lisboa

Manifestação congénere\Externa; Atual\Portugal\Região Autónoma\Açores\Lagoa\Lagoa (Santa Cruz); Polidesportivo de Santa Cruz

Manifestação congénere\Externa; Atual\Portugal\Região Autónoma\Madeira\Funchal\Santo António

Manifestação congénere\Externa; Atual\Portugal\Braga\Amares

Apoios:
Logístico; Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão

Monetário; Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão; A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão atribui um valor monetário (igual para todas as coletividades que se proponham participar), no ato da inscrição, como forma de subsidiar os custos iniciais.

Promoção; Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão; Existem diversos prémios atribuídos por um júri composto por elementos convidados pela Comissão de Festas, que passa pela Melhor Música, Melhor Letra, Melhor Coreografia, Melhor Guarda-roupa, Melhores Arcos e a Marcha mais Popular. Este último prémio é atribuído por dois elementos da Comissão de Festas que pontuam cada Marcha perante a reação e a interatividade entre ela e o público durante o desfile. Todos estes prémios são atribuídos na sessão de encerramento das festividades, na noite do dia 13 de junho.

Promoção; Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão; A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão passou a transmitir integralmente, via live streaming, desde o ano de 2016, as "Marchas Antoninas"

Fortalecimento:
Incentivo\Participação; 2016-00-00; A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão atribui um subsidio base, no valor de 4200 euros, a cada grupo participante, de modo a custear as despesas inerentes à preparação da marcha. Este apoio tem vindo a ser aumentado nos últimos anos, permitindo a que, cada vez mais, os grupos participantes não tenham que ir angariar fundos a outros locais ou a utilizar verbas internas para liquidar as despesas desta iniciativa. Esta medida também tem originado a que outros grupos que anteriormente não participavam nas marchas, por não suportarem as diversas despesas, atualmente já possam participar nas marchas.

Incentivo\Autenticidade e Criatividade; 2016-00-00; Por regulamento, atribuição de um subsídio bónus, no valor de 250 euros, às marchas que apresentem músicas inéditas.

Incentivo\Criatividade; 2016-00-00; Por regulamento, atribuição de um subsídio monetário bónus, no valor de 1000 euros, às marchas que apresentem um corpo musical entre 7 e mais instrumentos de sopro.

Incentivo\Autenticidade e Criatividade; 2016-00-00; Por regulamento, atribuição e distribuição de prémios de participação feita de acordo com o número de pontos, achando-se uma base mínima de 200 pontos = 3.700 Euros em conformidade com o plano de prémios previamente definido (em regulamento). Cada ponto a mais será equivalente a 10 euros/ponto, podendo-se atingir o valor máximo de 361 pontos o que significará 5.310,00 Euros. As Marchas avaliadas poderão ainda receber (além de um troféu) um prémio monetário extra, a ser considerado do seguinte modo: Melhor Música - 300,00 Euros; Melhor Letra - 300,00 Euros; Melhor Coreografia - 300,00 Euros; Melhor Guarda-roupa - 300,00 Euros; Melhores Arcos - 300,00 Euros; A Marcha mais Popular - 300,00 Euros

2016-00-00; As marchas antoninas são vistas pela comunidade e pela entidade organizadora como a principal manifestação das Festas Antoninas. Esta categorização fortalece a sua prática e reprodução futura, permitindo a sua continuidade.

Disposição legal:
Regulamento das Marchas Antoninas; 2016-00-00

Regulamento das Marchas Antoninas Infantis 2016; 2016-00-00

Tipologias:
Domínios UNESCO\Artes do espectáculo

Domínios UNESCO\Práticas sociais, rituais e eventos festivos

Categorias (DR_Port. N.º 196/2010_9 de Abril)\Atividades lúdicas

Categorias (DR_Port. N.º 196/2010_9 de Abril)\Corpo, vestuário e adornos

Categorias (DR_Port. N.º 196/2010_9 de Abril)\Espetáculo e divertimento

Categorias (DR_Port. N.º 196/2010_9 de Abril)\Manifestações artísticas e correlacionadas

Categorias (DR_Port. N.º 196/2010_9 de Abril)\Manifestações musicais e correlacionadas

Categorias (DR_Port. N.º 196/2010_9 de Abril)\Manifestações teatrais e performativas

Património Cultural Imaterial\Usos e Costumes

Unidade cultural:
Gabinete do Património Cultural
Nº inventário:
GPC.IPI.000245

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